O Globo,
Brazil
As Venezuela
Militarizes, Region's Alarm Bells
Ring
"Aside from the inside
of Chávez' unbalanced mind, there is no real danger
or military threat to the sovereignty and integrity of his country … Chávez is
bringing Iranian and Russian arms merchants here principally to provoke the
United States."
By William Waack*

Translated By Brandi
Miller
February 6, 2007
Brazil – O Globo – Original Article (Portuguese)
There's a dangerous game going on in Bolivia and Ecuador, but it's a game that, initially, will cause
only internal confusion. The most dangerous game at the moment is that of Hugo
Chávez, which promises to cause tremendous external confusion. One of the most
worrisome aspects was reiterated this Monday (February 5) in a news article
from Roberto Godoy of O Estado of Sao Paulo. It is about the addition of
nine Russian submarines to Venezuela's
already formidable arsenal.
The huge purchases of military equipment
by Chávez exceeds $3 billion, although included in that figure are long term
contracts. The respected International Institute for Strategic Studies (known
in English by its acronym IISS) states in its latest report that amongst Latin
American countries, the biggest security and defense budget, in absolute terms,
continues to be Columbia's ($4
billion) - the Colombian government's
war against a diverse group of narco-guerrillas has already lasted 40 years.
The second biggest spender is …
Chávez, with a budget just over $2 billion. He has surpassed both Argentina and
Chile, who have slightly lower budgets (but much stronger military traditions).
But what is most impressive is the rate of increase in Venezuelan military spending. Between 2005 and
2006, Venezuela's defense budget rose
33 percent (in comparison, Colombia's
rose by less than 10 percent, while the rate of increase in Chile and Argentina
was negligible).
The military purchases of Chávez
suggest the behavior of someone who entered a department store with lots of
money and loved almost everything. He purchased 100,000 AK-47 rifles, which are
rarely used in the Americas (aside from Cuba and FARC narco-guerrillas in
Colombia), including an ammunition factory. Although the Bolivian government denied
it last weekend, information is circulating that some of the 100,000 light
automatic rifles that will be replaced by the AK-47s will be going to Bolivia.
The shopping list of the
Venezuelan President with dictatorial powers included anti-aircraft defense
systems, patrol ships such as the Russian submarines but mainly, Russian
Sukhoi-35s, a fighter plane without equal amongst Latin American air forces.
What's most impressive about this
machine, which is designed to compete with the American F-15 and F-18, is its
long range: 3400 kilometers [about 2100
miles]. In terms of onboard electronics, nothing in South America rivals it.
In the midst of all this, it is
clear that Venezuela hasn't made a
millimeter of progress in joining forces with the other countries bordering the
Amazon: there is an absence of a government presence and security within
Venezuelan territory. The Orinoco Belt, for example (where Chávez is taking
some important oil exploration projects away from big oil), has for over a
decade been the area preferred by criminal groups exporting huge amounts of
drugs from South America to Europe.
The behavior of the Venezuelan
commander carries with it the type of military insecurity that the region
seemed to have rid itself of, at least since the end of disputes between Brazil
and Argentina and, mostly, Argentina and Chile. Do you see the reason? Based on
ideological motives, Chávez pushed Argentina and Brazil to pull out of joint
naval exercises in 2006 with the United States
(the Pacific coast countries participated as
planned). Most likely this year, in a show of force, the Americans will "stroll" the South Atlantic with an
aircraft carrier "battle group."
Aside from the inside of Chávez'
unbalanced mind, there is no real danger or military threat to the sovereignty
and integrity of his country. The money he spends on weapons adversely effects
many sectors in Venezuela, and will be felt even more with oil prices
stabilizing around at around $50 per barrel (a drop of over 30 percent in the
last six months). But there is one other external factor that is very
worrisome.
Part of Venezuela's fighter aircraft will be modernized
in Iran, according to Roberto Godoy. It would be foolish to suggest that armed
forces in Latin America should abstain from buying equipment and systems where
they are cheaper, more competitive and, mostly, where you can obtain the
transfer of technology, despite the wishes of the Americans. But Chávez is
bringing Iranian and Russian arms merchants here principally to provoke the
United States (which is notoriously restrictive on the transfer of military and
"dual
use"
technology).
Far from admiring Chávez,
Brazilian military officials are openly saying that he is bringing conflicts to
our hemisphere that never existed here before and that are none of our business
[reference to Iran and the crisis in the Middle East]. In this sense, Chávez's weapons
are deeply disturbing.
*William Waack's is Jornal da Globo's international anchor,
and was an international correspondent for 21 years. His column appears on
Tuesday and Thursday.
Portuguese Version Below
Chávez arma a Venezuela e faz soar os alarmes
no continente
Há um jogo perigoso
sendo jogado na Bolívia
e no Equador, mas é um jogo que, inicialmente,
só causará confusão interna. O jogo mais perigoso
sendo jogado no momento é o de Hugo Chávez, e promete
causar muita confusão externa. Um de seus aspectos
mais preocupantes foi reiterado nesta
segunda (5) numa reportagem de Roberto Godoy, de "O Estado de S. Paulo". É o
acréscimo, ao já formidável arsenal militar venezuelano, de provavelmente 9 submarinos russos.
As volumosas compras de material bélico por parte
de Chávez ultrapassam os 3 bilhões de dólares, mas há nessa
cifra contratos de longo prazo. O respeitado Instituto
Internacional para Estudos Estratégicos (mais conhecido pela sigla em
inglês, IISS) diz em seu último
relatório que entre os latino-americanos
o maior orçamento com segurança e defesa, em termos absolutos,
continua sendo o da
Colombia (4 bilhões de dólares)
- a guerra do governo colombiano contra diversos grupos de narco-guerrilheiros já dura 40 anos.
O segundo
maior gastador é...Chávez,
com pouco mais de 2 bilhões de dólares. Ele superou Argentina e Chile,
com orçamentos pouco inferiores (e tradições militares muito superiores), mas
o que impressiona é a velocidade do aumento das despesas com material de guerra. Entre 2005 e 2006, o orçamento de defesa da Venezuela subiu 33% (o da Colombia, para comparação, subiu menos de 10%, e os de Chile e
Argentina quase nada).
As compras militares de Chávez sugerem o comportamento de alguém que entrou
com muito dinheiro numa loja de departamentos
e se encantou com quase tudo. Ele comprou 100 mil fuzis AK-47, um tipo pouco usado
nas Américas (a não ser por Cuba e os narco-guerrilheiros das Farc), incluindo
uma fábrica de munição. Circulam com muita insistência
informações, desmentidas no
último fim de semana pelo governo
boliviano, de que parte dos
100 mil fuzis automáticos leves que serão
substituídos pelas AK-47 estariam indo para a Bolívia.
A shopping list do presidente com poderes de ditador da Venezuela incluiu sistemas de defesa antiaérea, navios patrulha, os tais submarinos
russos mas, principalmente, os caças russos Sukhoi-35, um avião de combate sem similares nas
forças aéreas latino-americanas. O que mais impressiona nessa máquina, desenhada para competir com os F-15 e F-18 americanos, é a autonomia: 3.400 quilômetros. Em termos de equipamento
eletrônico a bordo, não há nada na América do Sul capaz de rivalizar.
No meio
disso tudo, é claro que a Venezuela não avançou um milímetro naquilo que a une
a outros países
de fronteira amazônica: a falta de presença do Estado e de segurança dos próprios limites. A foz do Orinoco, por exemplo (onde Chávez está tomando de empresas estrangeiras alguns projetos importantes de exploração de petróleo pesado), é há mais de uma
década o ponto preferido das grandes
máfias de exportação de drogas da América
do Sul para a Europa.
O comportamento
do caudilho venezuelano traz consigo o tipo de insegurança militar do qual a região parecia afastada, pelo menos desde o fim
das querelas entre Brasil e Argentina e, principalmente, entre Argentina e
Chile. Querem ver a razão?
Por motivos ideológicos, Chávez conseguiu com que Argentina e Brasil deixassem de realizar com a marinha dos Estados Unidos os exercícios conjuntos
previstos para 2006 (os países da
costa do Pacífico o fizeram, conforme previsto). Provavelmente este ano,
num sinal de força, os americanos vão
passear pelo Atlântico Sul com um "battle
group"
em torno de um porta-aviões.
Não há, a não
ser na cabeça
desequilibrada de Chávez, qualquer
perigo real ou ameaça militar à soberania e integridade
de seu país. O que ele gasta
com armas faz falta em muitos
setores na Venezuela, e fará mais falta
ainda com os preços do petróleo estabilizando-se em torno de 50 dólares o barril (uma queda
de mais de 30% nos últimos seis meses).
Mas há um outro fator,
externo, que é muito preocupante.
Parte
dos aviões de combate venezuelanos será modernizada pelo Irã, segundo Roberto Godoy. Seria bobagem
afirmar que as forças armadas latino-americanas
deveriam abster-se de comprar equipamentos e sistemas onde eles
forem mais baratos, competitivos e, principalmente, onde se possa adquirir ou obter a transferência
de tecnologia, apenas por deferência aos americanos. Mas ao trazer
os iranianos e os vendedores russos
para cá, Chávez o faz principalmente
como provocação
aos Estados Unidos (notoriamente restritivos no repasse de tecnologias militares ou de "dual use").
Longe
de sentir admiração por Chávez, os militares brasileiros estão dizendo abertamente
que ele está
trazendo para nosso hemisfério conflitos que aqui
não existem. E que nem nos interessam.
Nesse sentido, as armas de Chávez são profundamente
perturbadoras.
William Waack