Nobel da Paz verde

 

Nobel da Paz em 2007 será bem atribuído, apesar de omissões históricas

 

EDITORIAL

 

13/10/2007

 

Anunciado ontem na Noruega, o Prêmio Nobel da Paz deste ano será concedido ao ex-vice-presidente dos Estados Unidos, de 1993 a 2001, Al Gore, jr., e ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, um programa em nível de subagência da Organização das Nações Unidas (ONU), pela cruzada que as duas partes empreendem, alertando sobre o aquecimento global do planeta.

 

Curiosamente, a divulgação de quem serão laureados, um norte-americano e um programa sediado nos Estados Unidos, aconteceu no 515º aniversário da descoberta do Novo Mundo por Cristóvão Colombo, a 12 de outubro de 1492, uma ocorrência que, em décadas recentes, tem sido estigmatizada. Para vozes mais discordantes, foi um ato colonialista apontado por elas como causa de genocídio em povos nativos do que se denominou, posteriormente, América.

 

Contudo, para quem ainda idealiza tanto a descoberta da América quanto àqueles episódios que determinaram a fundação e posterior emancipação das 13 colônias britânicas as quais formaram os Estados Unidos, a mensagem que pessoas como Gore e os integrantes do IPCC pregam em prol da Terra podem significar a renovação da no Novo Mundo, para que seja conseguido um mundo novo.

 

Gore foi vice-presidente de um país considerado maior causador do aquecimento global, derivado, principalmente, da poluição industrial. Mas, é uma nação de onde se levantam brados desde o início da década de 1970, com a meta de que o planeta Terra seja melhor tratado. Uma doutrina a que Gore aderiu, como paladino do meio ambiente, apresentando o longa-metragem Uma Verdade Inconveniente, dirigido por Davis Guggenheim, laureado este ano com o Oscar de 2006 para melhor documentário, pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas norte-americana.

 

Entre os prêmios Nobel, os de maior visibilidade, porém mais questionados, estão nas categorias de Literatura e da Paz. Nem sempre a opinião pública concorda com nomes de pessoas físicas ou jurídicas homenageadas. Entre os pacifistas, por exemplo, se o Dalai Lama, o líder espiritual exilado do Tibete, foi premiado em 1989, uma das omissões dos que concedem o prêmio está no Mahatma Gandhi, principal articulador da independência da Índia.

 

Tampouco teve reconhecimento na Noruega o legado de um brasileiro, o marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, como benfeitor dos indígenas. Os irmãos Vilas Boas também foram sugeridos para o laurel, porém sem recebê-lo. Mas, a homenagem a Gore e ao IPCC extrapola insatisfações e até eventuais posturas contra o que governos norte-americanos cometam.