The Problem of Low Expectations

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O problema da baixa expectativa

Só mesmo o nivelamento muito por baixo das expectativas, ou um arrependimento extemporâneo de seus mais ferrenhos críticos, pode ter gerado a unanimidade de que Palin não foi assim tão mal no debate com Biden.

Por qualquer critério minimamente exigente, ela foi péssima. E não porque falou com sotaque caipira, desfilou gírias coloquiais demais ou pronunciou “nuclear” errado. Mas porque suas respostas eram tão obviamente decoradas _um pequeno número de slogans cercados por frases desconexas_, que, por diversas vezes, ela trocou a ordem dos fatores nas frases. Por exemplo, quando disse que não importava se “o aquecimento global afetava a atividade humana”.

Em apuros, Palin apelava para piscadelas, sorrisos e outras coqueterias vulgares que devem ter exercido algum fascínio sobre o público masculino _a linha verde da CNN, que media as reações de eleitores independentes de Ohio do sexo masculino, subia. Mas as mulheres, representadas pela linha amarela, não se deixaram enganar tanto.

Já era o fim do debate e os telespectadores e jornalistas deviam estar cansados, mas pelo menos uma das respostas de Palin equivale às declarações incompreensíveis que ela deu a Katie Couric, da CBS.

Foi quando teve de responder sobre os poderes executivos da Vice-Presidência, que no governo Bush foram arbitrariamente ampliados por Dick Cheney. Ao fazer a pergunta, a mediadora se referiu à doutrina do “Executivo unitário”, defendida por juristas ultraconservadores e abraçada pelo governo Bush, segundo a qual o presidente pode supervisionar e dirigir todas as operações do Executivo, mesmo instituições hoje independentes, como a Comissão Federal de Comércio e a SEC, reguladora dos mercados. Para os críticos, a doutrina põe em risco o sistema de pesos e contrapesos entre a Presidência e o Legislativo nos Estados Unidos.

A resposta de Palin foi pescada pela articulista Linda Hirshman, da “Nation”, e mostra que, assim com não sabia o que é a “doutrina Bush” de defesa, também não fazia a mínima idéia do que falava a mediadora. E qualquer político americano que tenha acompanhado com atenção as audiências de nomeação de Samuel Alito para a Suprema Corte, em 2006, sabe que “Executivo unitário” foi um dos tópicos principais.

A tradução da resposta de Palin vai abaixo:

“Bem, nossos pais fundadores foram muito sábios lá em permitir pela Constituição bastante flexibilidade lá no escritório do vice-presidente. E vamos fazer o que for melhor para o povo americano em assumir essa posição e levar adiante uma agenda de apoio e cooperação com a agenda do presidente nessa posição. Sim, então eu concordo com ele [Cheney] em que temos bastante flexibilidade lá, e vamos fazer o que for preciso para administrar muito apropriadamente os planos que são necessários para esta nação. E é à minha experiência executiva que deve ser parcialmente atribuída minha escolha como vice de McCain, não apenas como governadora, mas antes como prefeita, como reguladora de gás e petróleo, como empresária. Serão esses anos de experiência em nível executivo que serão postos para bom uso na Casa Branca, também.”

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