Asia Earns Fortunes and Spends Lavishly on Arms

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A bomba nuclear da Coreia do Norte é como a casaca de luxo comprada por um pobre que vendeu tudo para impressionar os vizinhos. Mas bem vistas as coisas, em matéria de armamento na Ásia, quem tem ido mais ao alfaiate são outros: China, Índia, Taiwan, Coreia do Sul, Paquistão e Singapura. E se os norte- -coreanos só têm uma muda de roupa, mesmo que exuberante, já outros povos da região são capazes de exibir vários fatos de bom corte. A começar pelos sul-coreanos, que depois do empate da guerra de 1950-1953 souberam construir uma democracia próspera, enquanto a norte se ergueu uma monarquia estalinista que mal alimenta os súbditos. Por isso, ao Sul não lhe pesa comprar aviões, navios e tanques. No próximo ano planeia gastar 27 mil milhões de dólares em armamento, o que nem é muito para a 12.ª potência económica mundial.

A economia global ajudou a Ásia a fazer fortunas e agora há quem as esbanje em armas. Entre 2002 e 2009, dos dez maiores importadores de armamento, seis foram asiáticos. A ganhar com esta diversidade da procura ficaram, claro, os Estados Unidos, principal fornecedor, mas também o Reino Unido ou a Rússia, ágeis a assegurar contratos. Quem compra não o faz apenas porque o dinheiro abunde, mas por necessidade: o Paquistão porque tem na memória três guerras com a Índia; a Índia porque além do inimigo paquistanês teme uma China que tem a mania de fazer manobras nos Himalaias e procura bases no golfo de Bengala; a China porque tem pretensões de superpotência, não quer fazer figura de fraca perante o Japão e tem de contrariar a independência de Taiwan; Taiwan porque a protecção dos porta-aviões americanos pode não ser dissuasor suficiente para uma China irritada; a Coreia do Sul porque sabe que a dinastia dos Kim um dia destes pode tentar o segundo round do combate terminado sem acordo de paz há 57 anos; e Singapura porque é um país tão minúsculo que tem de mostrar músculo numa região onde todos exibem força. E ainda há que ter em conta os gastos de russos e japoneses, que se auto-abastecem em armamento. Aliás, têm por resolver a soberania sobre as Curilhas, a meio caminho entre o Kamchatka russo e a japonesa Hokkaido.

Uma guerra na Ásia Oriental seria desastrosa. Desestabilizaria a região que serve de motor à economia mundial e não deixaria de ter impacte a milhares de quilómetros, porque os Estados Unidos estariam sempre envolvidos, tantos aliados têm na zona. Mas mesmo que a guerra seja grande, a sua origem pode ser pequena. Que não se descurem focos de tensão com nomes tão exóticos como Dodko, Paracels ou Spratley, meras ilhotas, mesmo que a preocupação mais óbvia seja a Coreia do Norte, nuclearizada desde que comprou ao paquistanês Khan os segredos da bomba. E perante os Kim não basta cortar-lhes na casaca, convém um dia destes mostrar que o rei vai nu.

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