Trump’s Commercial Tariffs Complicate Dialogue with Beijing

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EUA impõem taxação de 10% sobre cinco mil produtos, e China anuncia retaliação e fim de diálogo

A Casa Branca aprofundou ontem a guerra comercial que vem travando com a China e anunciou a taxação de 10% sobre cinco mil produtos chineses, avaliados em cerca de US$ 200 bilhões, a começar na próxima semana. A partir de 1º de janeiro de 2019, estas tarifas saltarão para 25%. O governo americano ameaçou ainda impor uma terceira etapa de impostos, no valor total de US$ 267 bilhões, caso a China adote uma política de reciprocidade.

Após o anúncio de Washington, o Ministério do Comércio da China anunciou, sem dar detalhes, que vai retaliar. Em outra ocasião, o governo chinês havia informado que imporia o equivalente a US$ 60 bilhões em taxações caso os EUA aprofundassem a guerra comercial entre as duas potências. No fim de semana, Pequim também declarou que suspenderia a rodada de negociações marcadas entre os dois países, se os produtos chineses fossem taxados.

Promessa de campanha, a guerra comercial de Trump começou em março, com a imposição de tarifas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio contra várias nações, inclusive a China e aliados históricos, como o Canadá e países europeus. De lá para cá, houve uma escalada de medidas retaliatórias, levando alguns especialistas a alertarem para o risco de uma recessão global.

Muitos economistas admitem que o protecionismo de Trump beneficia pontualmente setores específicos da economia americana. No entanto, alertam que, com a consequente elevação dos preços desses produtos para o consumidor, cadeias econômicas inteiras perderão competitividade, afetando o emprego e a produtividade das empresas.

Trata-se de um jogo perigoso em que todos perdem. O impacto das tarifas americanas sobre o PIB chinês tem sido considerável, por outro lado, o gigante asiático é detentor de títulos da dívida americana, o que recomenda uma relação de confiança e respeito entre os dois países. Um depende do outro.

Alheio aos alertas, o presidente americano repete obsessivamente, pelo Twitter, o evangelho de sua campanha, segundo o qual os EUA são vítimas da ganância alheia, e é preciso tornar o país grande novamente. Também acusa os críticos, sobretudo os democratas, de se aliarem a potências estrangeiras contra os interesses dos americanos.

Ao politizar o assunto, Trump busca o apoio de seu eleitor na ideia de que ele devolverá a grandeza perdida. Porém, os republicanos que buscam uma vaga no Congresso se veem confrontados por negarem suas raízes liberais e a defesa do livre comércio. Curiosamente, são os chineses que, nos fóruns multilaterais, têm defendido a globalização.

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