Obama and the Rescue of the American Soul

Published in Estadão
(Brazil) on 05 November 2008
by Marcos Guterman (link to originallink to original)
Translated from by Marcela Canavarro. Edited by Louis Standish.
Barack Obama’s election electrified the world, but it's not yet possible to know the reason why. It's kind of a transcendental pleasure knowing that Bush is gone and seeing him about to be replaced by a guy who's not from his party, who's new to politics, black, liberal and young, a complete antithesis of the recent shadow years full of a strong messianic and excluder conservatism. Terrorism, a mantra for this disastrous administration that annulled all other considerations, has no more of its original sense and dilutes a wide agenda of issues, especially global warming and stock market irresponsibility.

Therefore, on this point, Obama is not historic yet. Let’s say he's just the dialectic end of an idea of power that didn't considered reason, substituting it for what Bush called "moral clarity,” a term where studied ambiguities are wide enough to justify all sort of lies.

That's why the expectations on Obama's shoulders go much further than the facts. The hope is he rescues the "American soul" for millions of people who since the eighteenth century have helped to transform the U.S. from a quagmire to an admirable country which used to be a model for the world. It happens in a context of profound crisis, not only economically, but it's about its own identity.

Obama will make history if his administration takes Americans back to their dreams. In the meanwhile he'll be only good news - which is not little in this sad America, the legacy of Bush.


A eleição de Barack Obama eletrizou o mundo, mas ainda não é possível saber exatamente a razão. Há uma espécie de prazer transcedental em saber que Bush partiu, e em vê-lo ser substituído por um sujeito que não é de seu partido, que é um novato na política, negro, liberal e jovem, uma antítese completa desses anos sombrios, repletos de um grave conservadorismo messiânico excludente. O terrorismo, mantra dessa administração desastrosa, que anulou todas as demais considerações, deixa de ter o sentido original de urgência e se dilui numa agenda ampla de preocupações, liderada sobretudo pelo aquecimento global e pela irresponsabilidade do mercado financeiro.

No entanto, por esse aspecto, Obama ainda não é história. Ele é apenas o fim, digamos, “dialético” de uma idéia de poder que desconsiderou a razão como vetor, substituindo-a pelo que Bush chamou de “clareza moral”, termo cuja ambiguidade estudada é ampla o bastante para justificar mentiras e engodos de toda sorte.

Por essa razão, sobre os ombros de Obama repousam expectativas que vão muito além dos fatos. Dele se espera que seja resgatado o “espírito americano”, o leitmotiv de milhões de pessoas que desde o século 18 ajudaram a transformar os EUA de um pântano num país admirável, que já foi modelo para o mundo. E isso num contexto de crise profunda, não só sob o aspecto econômico, mas de sua própria identidade.

Obama será história se, em seu governo, conseguir devolver os americanos a seus sonhos. Enquanto isso não acontecer, ele será apenas uma boa notícia – o que não é pouca coisa nessa triste América legada por Bush.
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