The success in Virginia and the close result in New Jersey share the fact that both candidates have distanced themselves from the former president and hallucinations about election fraud.
The famous historian Eric Hobsbawm wrote a masterpiece about the 20th century, “The Age of Extremes: 1914-1991.” The book takes a critical look at the 20th century and describes it as the most dreadful of all centuries. It would be a century of wars and the birth and death of knowledge utopias. At the same time, it was a century when ignorance and fear prevailed. It could easily reflect the state of 21st century American politics.
However, the night of Nov. 2, 2021 will be remembered for the advance (or return) of moderation in election contests between Democrats and Republicans. Precisely for this reason, this day provides a resounding lesson for the entire political spectrum. The narrative and strategy of 2021 will spill over into future elections. (Midterm elections will take place in 2022 and there is a presidential election in 2024.)
And what are the main messages that voters in Virginia, New Jersey, New York City, Boston and Minneapolis left at the polls?
First, Democrats need to worry. In Virginia, President Joe Biden beat Donald Trump by 10 points in 2020 (and Democrats won gubernatorial elections in 2013 and 2017). In New Jersey, the Democratic governor struggled this year to win in a state that Biden won by a substantial 16 percentage points.
In both elections, the central narrative of Democrats Terry McAuliffe (Virginia) and Phil Murphy (New Jersey) essentially focused on the eventual return of Trump's ideas, but this concentration on the Trumpist past proved fragile.
Biden supporters who switched sides (voting for Republicans Glenn Youngkin in Virginia and Jack Ciattarelli in New Jersey) were concerned about the present. Youngkin and Ciattarelli extensively explored increased inflation, thought to be a direct result of Biden's economic management and the Democrats' inertia in developing and implementing an infrastructure package.
Moreover, in Virginia, former governor and candidate McAuliffe lost the debate over “critical race theory” in public schools — a controversial topic (to say the least), but one that pushed the Republicans forward in places Trump lost in 2020. Little or nothing was said about election fraud.
In Minneapolis, the city where George Floyd was murdered in 2020, voters rejected a referendum to replace the current police department. There will be no structural changes to the police budget in the largest city of Minnesota, another city that Biden won. That is a painful defeat for the most progressive wing of the president's party.
On the Republican side, we saw that mobilizing voters is possible without Trump. What the success in Virginia and the close result in New Jersey have in common is that both candidates distanced themselves from the former president and his hallucinations about widespread election fraud. Turning the discussion to everyday issues (such as economics, education, security and health care measures to deal with COVID-19), rather than cultivating conspiracy theories, brought voters together. I heard from a Republican campaign coordinator that this approach was critical to the state's turnaround.
Moderation won with the Democrats as well. New York City elected Eric Adams, the second Black mayor in the city's history, who became a police officer to fight the racism he suffered in his youth.
Interestingly, Adams surfaced in the primary election based on ranked choice voting. This process allows voters to rank their preference for up to five candidates. (The voter marks their first through fifth choices.) According to political scientists who specialize in the subject, the method of voting reduces the power of polarization and creates more space for more moderate positions. The winner of the mayoral election is a self-described pragmatic progressive.
In Boston, there was another victory for pragmatic progressivism. The capital of Massachusetts, which is governed by the Republicans, elected a Taiwanese American from Chicago. Boston is a city that, until this election, elected only white men to this position. Attorney Michelle Wu will join at least 11 women — possibly 13, depending on election results — as mayors of U.S. cities with a population of more than 400,000.
Wu claims to be a fighter for progressive causes. However, her experience as a small business entrepreneur and her track record of making deals with conservative political sectors significantly helped her win over moderate voters. She had excellent election results, even among Republicans.
Therefore, the lesson on moderation applies to both parties for the 2022 midterm elections. Democrats should rethink the process of self-sabotage underway in the debate in Washington. Without achieving results for the economy or delivering firm results in other areas, it will be impossible to maintain a majority in the House of Representatives and the Senate. And governing without a majority in both houses is the first step to losing the White House, as the example ofthe Democratic Party loss in 2014 during Barack Obama's second term shows. The former president could not even fill a vacancy for the Supreme Court after that.
On the Republican side, Trump remains a bull in a china shop.
The party is filled with politicians who depend on Trumpism (and its delusions) to win their primaries. Alternatively, victory in Virginia will stir alarm based on a chaotic past of ignorance and fear, when what voters want right now is moderation.
Nas eleições locais dos EUA, republicanos mostram que há futuro sem Trump
O famoso historiador Eric Hobsbawn escreveu uma obra prima sobre o século 20: “A Era dos Extremos: 1914-1991”. O livro traz uma visão crítica sobre o século 20 e o descreve como sendo o mais terrível dos séculos e o mais veloz de todos. Teria sido um século de guerras, de nascimento e morte de utopias do conhecimento mas ao mesmo tempo, do predomínio de ignorância e medo. Poderia facilmente refletir o estado da política americana do século 21.
Porém, a noite de 02 de novembro de 2021 será lembrada pelo avanço (ou retorno) da moderação nas disputas eleitorais entre democratas e republicanos. Justamente por isso, esse dia deixará uma contundente lição de casa para todos os espectros políticos. As narrativas e estratégias de 2021 devem respingar no tabuleiro eleitoral futuro (teremos eleições do Congresso Nacional em 2022 e presidenciais em 2024).
E quais as principais mensagens que os eleitores da Virginia, Nova Jersey, cidade de Nova York, Boston e Minneapolis deixaram nas urnas?
Primeiro, os democratas precisam se preocupar. Na Virgínia, o presidente Biden venceu Trump por 10 pontos percentuais (e os democratas venceram as eleições de governador em 2013 e 2017). Em Nova Jersey, o governador democrata sofreu muito para vencer uma disputa em um estado que Biden venceu por ampla margem de 16 pontos percentuais. Em ambos pleitos, a narrativa central dos democratas Terry McAuliffe (Virginia) e Phil Murphy (Nova Jersey) focou essencialmente no eventual retorno das políticas e ideias de Donald Trump. E essa concentração no passado trumpista se provou frágil.
Os eleitores de Biden que mudaram de lado (votaram nos republicanos Glenn Youngkin na Virgínia e Jack Ciattarelli em Nova Jersey) se mostraram preocupados com o presente. O aumento da inflação, percebido como resultado direto da gestão econômica de Biden, e a inércia democrata em formular e implementar um pacote de infraestrutura foram amplamente explorados por Youngkin e Ciattarelli.
Além disso, na Virginia, o ex-governador e candidato McAuliffe perdeu o debate sobre a “teoria racial” nas escolas públicas. Um tema bastante controverso (para dizer o mínimo) mas que fez com que o republicano eleito avançasse em locais que Trump perdeu em 2020. Pouco ou nada se falou sobre fraude eleitoral.
Em Minneapolis, o referendo para substituir o atual departamento de polícia (lembrando que essa foi a cidade do assassinato de George Floyd em 2020) foi rejeitado pela maioria. Ou seja, não haverá mudanças estruturais no orçamento da policia na principal cidade de Minnesota (outra localidade que Biden venceu). Essa é uma derrota dolorosa da ala mais progressista do partido do atual presidente.
No lado republicano, mostrou-se que há mobilização possível sem Donald Trump. O êxito na Virginia e o aperto em Nova Jersey têm em comum o fato de ambas candidaturas terem se distanciado do ex-presidente e de suas alucinações sobre fraudes eleitorais generalizadas. Trazer a discussão para os problemas rotineiros (economia, educação, segurança e medidas sanitárias para lidar com a Covid), ao invés de buscar novas teorias da conspiração universal, aproximou os eleitores. Ouvi de um coordenador da campanha republicana que “menos twittes e mais rua” foi crítico para a virada no estado.
A moderação venceu com os democratas também. A cidade de Nova York elegeu Eric Adams, o segundo prefeito negro da história da cidade e que virou policial para combater o racismo que sofreu na juventude.
O mais interessante é que Adams saiu de uma disputa nas primárias baseada no voto por classificação (ranking vote choice). Nesse método, os eleitores podem classificar sua ordem de preferencia para até cinco candidatos (o eleitor marca da primeira a quinta opção). Essa metodologia, segundos os cientistas políticos especializados no tema, diminui a potencia dos discursos de polarização e cria mais espaço para posicionamentos mais moderados. O recém eleito se auto classifica como “progressista pragmático”, um exercício semântico para se mostrar moderado.
Em Boston, outra vitória do progressismo pragmático. A capital do estado de Massachusetts (que é governado pelos republicanos) elegeu uma taiwanesa americana de Chicago. Essa é uma cidade que, até essa eleição, elegia apenas homens brancos para esse cargo. A advogada Michelle Wu vai se juntar a pelo menos 11 mulheres (e possivelmente 13, dependendo dos resultados eleitorais) como prefeitas de cidades dos EUA com uma população de mais de 400.000 habitantes.
Michelle se diz “batalhadora das causas progressistas”. Todavia, sua experiência como empreendedora de pequeno negócio e histórico de fazer acordo com setores políticos conservadores ajudaram muito na conquista dos eleitores moderados. A jovem eleita teve um excelente desempenho eleitoral inclusive entre os republicanos.
Portanto, para a eleição de congresso nacional de 2022, fica a lição de moderação para os dois partidos. Os democratas precisam repensar o processo de auto sabotagem em curso no debate em Washington, DC. Sem resultados na economia, ou entregas concretas em outras áreas, será impossível manter a maioria na Câmara dos Deputados e no Senado. E governar sem a maioria nas duas casas é o primeiro passo para perder a Casa Branca (o exemplo da derrota de Barack Obama em 2014 é bastante ilustrativo. O ex-presidente não conseguiu nem preencher uma vaga para a Suprema Corte depois da perda das casas).
Do lado republicano, o ex-presidente Donald Trump segue como “elefante na sala de vidro”. O partido está inundado de políticos(as) que dependem do trumpismo (e seus delírios) para vencer suas primárias. Por outro lado, a vitória na Virginia vai acender o alerta do passivo que represente olhar para o passado caótico de ignorância e medo quando o que eleitores parecem querer, nesse momento, é apreciar a moderação.
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If this electoral gridlock [in domestic policy] does occur, it may well result in Trump — like several other reelected presidents of recent decades — increasingly turning to foreign policy.